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Cinturão Digital chega a todos os municípios do Ceará

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Especialistas falam que iniciativa chegou a ser questionada no início, mas, com parceria com iniciativa privada conseguiu dar suporte para pequenas e médias empresas locais para que estas levem internet banda larga fixa para grande parte do Ceará.

Cinturão Digital
Abstract network background with low poly design with connecting lines

Cinturão Digital do Ceará (CDC), criado e inaugurado em 3 de novembro de 2010 pelo Governo do Estado, chegou à entrada dos 184 municípios do Ceará. Destes, 174 têm fibra óptica nas cidades e os outros 10 dependem da iniciativa privada para fazer a conexão da chamada última milha, ou seja, levar do ponto onde o Cinturão passa pela cidade até as casas dos moradores das cidades restantes. “Atualmente o Estado do Ceará possui infraestrutura de fibra óptica num total de 14,5 mil km, compondo as infovias principais e suas derivações. Isto torna o Ceará o Estado brasileiro melhor conectado por infraestrutura de banda larga do Brasil. Desses 14,5 mil km, aproximadamente um terço corresponde a investimentos feitos dentro do âmbito público, pelo próprio Estado, e os demais fruto de parcerias com iniciativa privada”, afirmou Adalberto Pessoa, presidente da Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (Etice), responsável pelo CDC. 

>>>Pequenas dominam mercado de banda larga no Ceará, segundo Anatel
 
Marcos Frota é coordenador técnico do PoP-CE (com foco nas faculdades) e GigaFor (que podemos dizer que foi o ponto inicial do CDC). Ele tem acompanhado de perto as ações do Cinturão Digital do Ceará desde o início e sempre participou de interações tanto com a Etice quanto com provedores e empresas e faculdades. No começo, Frota fala que havia muito descrédito com relação ao CDC. “Por eu tratar muito com os gestores e professores de várias instituições acadêmicas em Fortaleza e no interior do Estado, na época do lançamento do projeto CDC, muitos deles costumavam argumentar comigo que o Estado necessitava era de água e oportunidade e não precisava de um “monte de cabos de fibras ópticas no meio do nada. Hoje em dia, muitas dessas pessoas que argumentam isso comigo não conseguiriam mais trabalhar sem essa infraestrutura passada pela Etice e complementada pela RNP para atender a comunidade científica”, garante.

De acordo com o professor doutor em Telecomunicações e diretor de Extensão do Instituto Federal do Ceará (IFCE), Edson Almeida, o Cinturão Digital foi o  grande passo que o Governo do Estado deu de forma a colocar o Ceará no cenário nacional da rede de internet fibrada. “Não se pode falar de internet banda larga se a fibra óptica não for o backbone desta rede. Qualquer empresa que deseja fornecer internet hoje, obrigatoriamente, tem que fazer uso da fibra óptica. Esta foi a grande contribuição do Estado, no momento de criar o Cinturão Digital”, disse Almeida. 
 
Já segundo Pessoa, isto representa o Ceará ter uma capacidade de entrega de serviços públicos de melhor qualidade e maior disponibilidade para a população. “Isto envolve serviços de educação, saúde, segurança pública, dentre outros. Além disso, a população cearense pode ter um processo de inclusão digital mais efetivo e massificado. Só para se ter uma ideia, nos últimos 5 anos houve uma queda no custo médio de transporte de dados no Ceará da ordem de R$ 200,00/Mbps para menos de R$ 7,00/Mbps”, disse o presidente da Etice.

Crescimento das pequenas e queda das grandes na banda larga fixa no Ceará
Em Fortaleza, as grandes ainda dominam, mas o crescimento das pequenas é notável

E ele está certo. O barateamento do custo da fibra fez surgir diversas empresas médias e pequenas que cresceram ao ponto de, hoje, terem o domínio do acesso banda larga fixa no Estado. Segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a partir de 2016 as empresas consideradas de pequeno porte avançaram no setor. Juntas, elas têm quase 877.116 de assinantes no Ceará. Até 2016, estas mesmas empresas tinham 167.126 usuários, um crescimento de quase 425% (424,82%). Já as grandes, que até 2016 tinham 426.208 usuários, viram esse número cair até 305.603, ou seja, uma redução de quase 29% (28,30%). Os dados da Anatel, analisados pelo Núcleo de Dados do SVM, refletem o panorama do Ceará até dezembro de 2020. 

Em Fortaleza, as grandes ainda dominam, mas o crescimento das pequenas é notável

Segundo dados da Anatel, em Fortaleza, em maio de 2016 eram 324.465 assinantes das empresas de grande porte contra 59.955 no mesmo período de assinantes de empresas de pequeno porte. Já em dezembro de 2020 as assinaturas de empresas de grande porte caíram para 262.234, um recuo de 19,18%. Já as pequenas cresceram 329,06%, saltando para 257.242. A diferença entre grandes e pequenas, em números de assinantes na Capital, despencou de 264.510 assinantes a mais para as grandes em 2016 para 4.992 assinantes a mais para as empresas maiores em 2020.

Segundo Almeida, o preço e, acima de tudo, a capacidade de solução de defeitos mais rápido, o atendimento ao cliente com maior qualidade em tempo e serviço são fatores que estão contribuindo para que as pequenas e médias empresas de banda larga fixa estejam com esse crescimento acelerado. Frota concorda. Ele percebeu que o usuário, além de querer uma conexão de boa qualidade, também necessita de um bom atendimento, de ter para quem ligar e reclamar quando sua conexão der problema e alguns serviços diferenciados, como conectividade específica para quem joga online ou faz investimentos em corretoras financeiras. 

Edital e massificação

Para que esse crescimento de pequenas e médias empresas acontecesse, o Governo do Estado se aliou a três empresas privadas. Em 2014 foi lançado edital de concessão de fibra óptica para as empresas provedoras de serviços de telecomunicações com o objetivo de compartilhar o direito de uso da infraestrutura das fibras ópticas já instalada do Cinturão Digital, como forma de suprir a demanda de redução de preços da internet junto ao cidadão cearense por meio da competição entre as empresas que necessitavam de infraestrutura para prover serviços de banda larga.
 
“O Governo do Estado, por meio da Concessão Pública de infraestrutura excedente de fibras ópticas, pretendeu fomentar a competição entre empresas que prestam serviços de comunicações no Ceará, reduzindo preços para, em consequência, massificar o acesso a serviços de qualidade. A referida Concessão insere-se nos objetivos do Programa Estadual de Banda Larga (PEBL), que visa a massificação do acesso a serviços de conexão à internet de qualidade, conforme Lei Estadual 15.018/2011, com o objetivo de selecionar as melhores propostas para a celebração de contratos de concessão do uso da infraestrutura excedente de fibras ópticas do Cinturão Digital do Ceará”, afirma o presidente da Etice deixando claro que o objeto da concessão foi um par de fibras ópticas apagadas, composto pelas fibras 5 e 6, no anel óptico (backbone), nas ramificações e nas últimas milhas e teve como vencedor o consórcio BWM formado pelas empresas Brisanet, Wirelink e Mob Telecom. 
 
De acordo com o CEO da Wirelink, Adriano Marques, o consórcio BWM foi fundado com objetivo de maximizar a infraestrutura do CDC. “Podemos afirmar que o objetivo de “democratizar” a banda larga com qualidade para o interior foi cumprido. Levando conectividade de qualidade a preços competitivos conseguimos ajudar no crescimento de vários ISP (Internet Service Provider ou Provedor de Serviço de Internet em português)”, disse Marques. 
 
Ainda segundo o CEO da Wirelink, o cenário da época era de concentração de mercado nas mãos das operadoras com baixa qualidade e preços exorbitantes. “Porém, ajudamos vários ISP a conseguirem crescer. Essa parceria foi o grande gol na época, pois era impossível para qualquer PPP (Provedor de Pequeno Porte) fazer sozinho uma rede DWDM (Multiplexagem Densa por Divisão de Comprimento de Onda, em português) como nós fizemos naquele momento. Logo, esse consórcio foi de suma importância para o crescimento da conectividade do Estado”, afirmou.

BWM

A Brisanet já usava fibra óptica desde 2011 e foi a primeira empresa do Brasil, segundo o CEO da companhia, José Roberto Nogueira, a ofertar fibra óptica até a casa do cliente (na cidade de Pau dos Ferros no Rio Grande do Norte). Porém, Nogueira crê que foi com o Cinturão Digital que a grande expansão aconteceu. “Isso possibilitou  interligar as cidades, já que existia fibra somente nas áreas urbanas. Com isso, a expansão acelerou e possibilitou uma entrega com mais qualidade aos clientes. Também a partir do Cinturão, a Brisanet passa a construir sua própria rede (cinturões) em outros estados”, garantiu Nogueira.
 
Para Gabriel Franco, gerente de marketing da Mob Telecom, o Cinturão Digital foi um divisor de águas. “Através dele, houve uma aceleração do desenvolvimento de pequenos e médios provedores no Estado do Ceará. Com isso, houve um desdobramento na inclusão digital em uma sociedade tão carente de qualidade, refletindo em uma grande evolução econômica, o que proporcionou uma universalização da internet no Estado. Uma outra observação é que hoje o Ceará é um dos estados que mais cresce em número de usuários de banda larga fixa no Brasil”.
 
Mas quando aconteceu a virada das pequenas e médias contra as gigantes fornecedoras de banda larga fixa? Segundo Franco, foi quando as empresas, como a Mob, começaram a levar a fibra para dentro da casa das pessoas. “Quando começamos a abrir um diferencial competitivo tecnologicamente. A tecnologia fibra até o cliente final é superior às tecnologias limitadas das grandes operadoras. Além de ter uma tecnologia mais avançada, a Mob também procurou investir na experiência do cliente e na qualidade de rede diante dos concorrentes, se tornando referências nesses dois segmentos”, garantiu.
 
Já para Nogueira, a vitória sobre as grandes está na preocupação em entregar qualidade no serviço prestado. Destaque em várias pesquisas de satisfação do cliente, inclusive as feitas pela Anatel, a Brisanet, garante o CEO, sempre se preocupou em entregar qualidade no serviço prestado e, para isso acontecer, alguns aspectos precisam ser levados em conta: atendimento, resolução de problemas e equipe qualificada. “Porque velocidade não é mais um problema para os provedores, todos podem oferecer planos acima de 200 MB, mas o nosso diferencial é estar próximo do cliente, com uma equipe de mão de obra própria e qualificada”, disse o empresário. 
 
Segundo Nogueira, outro aspecto fundamental foi a atuação dos pequenos provedores, pois para o CEO, são os pequenos quem, de fato, fazem a inclusão digital nas cidades, mesmo nas capitais, pois os grandes players, nunca tiveram interesse nas periferias dos grandes centros e pequenas cidades. “No Ceará, mesmo com a operação em Fortaleza iniciada recentemente, a Brisanet já tem o dobro de assinantes do segundo colocado. Em todos os estados que operamos já somam 625 mil assinantes”, afirmou Nogueira.

Para além da velocidade

Segundo Emanuel Bezerra, professor do Departamento de Computação da UFC, os benefícios de um Estado mais conectado são inúmeros, tanto para as empresas (surgimento de novos negócios), como para os cidadãos (que têm acesso a melhores serviços), bem como para o próprio Estado (aumenta o PIB, a arrecadação de impostos e o bem-estar da sociedade). “O Estado do Ceará é muito privilegiado geograficamente por estar num ponto do globo terrestre equidistante a vários continentes (América do Norte, Europa, África). Essa característica permitiu em um primeiro momento a atração de investimentos em cabos submarinos transatlânticos que conectam o Brasil a esses continentes. Mas com a continuidade dos investimentos do Governo do Estado e na sua busca de novas parcerias na área de TIC permitiu que uma segunda onda de investimentos viesse na forma de instalação de grandes Data Centers no Ceará, também aproveitando essa vantagem competitiva do Ceará para distribuir o conteúdo de grandes bases de dados da Internet de uma forma mais eficiente. Nesse contexto, as pequenas ISPs têm aproveitado o crescimento e fortalecimento desse vibrante ecossistema no nosso Estado”, concluiu Bezerra. 
 
Novos negócios, novas oportunidades não só para o Estado ou empresas e faculdades, mas para os cidadãos que podem ter novas opções de empregos. Os empregos que já são realidade mundo afora e que agora podem aportar no Ceará criando uma perspectiva de crescimento sustentável por muitos anos. O que é necessário para confirmar isso é uma sequência dessa visão e correção de falhas ainda no aspecto do alcance do Cinturão. Apesar de estar em todos os municípios do Ceará, ainda há 10 cidades sem a fibra óptica efetivamente dentro dos seus limites. Cabe esta parte para a iniciativa privada. Além disso, temos ainda locais, mesmo onde a banda larga fixa ainda não chegou, mesmo dentro das cidades onde já há cabeamento. Outra vez, a iniciativa privada precisa atuar no sentido de fornecer esta solução, visto que a base para isso, o Cinturão Digital, já está lá disponível. O futuro promete dias melhores, mas é preciso seguir trabalhando.

Fonte: Diário do Nordeste

Diretor de Marketing: Sergio Maurício

CEO: Loredan Bernutty

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